Como teria sido a Revolução Russa nas mídias sociais

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TED-Talks

 

 

Transcrição

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O que é história? É algo escrito pelos vencedores. Existe um estereótipo de que a história deveria ser focada nos governantes, como Lenin ou Trotsky. Como resultado, pessoas em muitos países, como o meu, a Rússia, olham para a história como algo que foi predeterminado ou determinado pelos líderes, e as pessoas comuns não poderiam influenciá-la de nenhuma maneira. Muitos russos hoje não acreditam que a Rússia poderia ter sido ou alguma vez será uma nação verdadeiramente democrática, e isso se deve à forma como a história foi idealizada para os cidadãos da Rússia. E isso não é verdade.

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Para provar isso, passei 2 anos de minha vida tentando voltar 100 anos, para o ano de 1917, o ano da Revolução Russa. Perguntei a mim mesmo: “E se a internet e o Facebook existissem 100 anos atrás?” Então, no ano passado, criamos uma rede social para pessoas mortas, chamada Project1917.com. Minha equipe e eu criamos nosso software, digitalizamos e carregamos todos os diários e cartas reais possíveis escritos por mais de 3 mil pessoas há 100 anos. Então, qualquer usuário de nosso site ou aplicativo pode acompanhar um “feed” de notícias para cada dia de 1917 e ler o que pessoas como Stravinsky ou Trotsky, Lenin ou Pavlova e outros pensaram e sentiram. Assistimos a todas aquelas personalidades sendo pessoas comuns, como você e eu, não semideuses, e vemos que a história consiste em seus erros, medos, fraquezas, não apenas suas “ideias geniais”.

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Nosso projeto foi um choque para muitos russos, que costumavam pensar que nosso país sempre foi um império autocrático e as ideias de liberdade e democracia nunca poderiam ter prevalecido, só porque a democracia não era o nosso destino. Mas, se dermos uma olhada mais ampla, não é assim preto no branco. Sim, 1917 levou a 70 anos de ditadura comunista. Mas, com esse projeto, vemos que a Rússia poderia ter tido uma história diferente e um futuro democrático, como qualquer outro país poderia ou ainda pode. Lendo os escritos de 1917, aprendemos que a Rússia foi o primeiro país do mundo a abolir a pena de morte, ou um dos primeiros a conceder o direito de voto às mulheres.

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Conhecer a história e entender como as pessoas comuns a influenciaram pode nos ajudar a criar um futuro melhor, porque a história é apenas um ensaio do que está acontecendo agora. Precisamos de novas maneiras de contar a história, e, neste ano, por exemplo, começamos um novo projeto on-line que se chama 1968Digital.com, e é uma série de documentários on-line que nos dá uma impressão daquele ano, 1968, um ano marcado pela mudança social global que, de muitas maneiras, criou o mundo como o conhecemos agora. Mas estamos tornando essa história viva imaginando: e se todos os personagens principais pudessem usar celulares desta maneira? Vemos que muitas pessoas enfrentavam os mesmos desafios e lutavam pelos mesmos valores, não importa se moravam nos EUA, na União Soviética, na França, na China ou na Tchecoslováquia.

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Ao expor a história de maneira tão democrática, pelas mídias sociais, mostramos que as pessoas no poder não são as únicas que fazem escolhas. Isso dá a qualquer usuário a possibilidade de recuperar a história. Pessoas comuns são importantes. Elas têm um impacto. Ideias importam. Jornalistas, cientistas e filósofos são importantes. Nós moldamos a sociedade. Todos nós fazemos história.

04:31
Obrigado.

04:32
(Aplausos)

 

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